Monday, December 11, 2006

Se fué... que te jodas en el infierno!



O inferno está em festa! O Tinhoso exulta de alegria na recepção de seu filho ilustre! No domingo último, dia 10 de dezembro – por ironia, dia dos direitos humanos! – morreu uma das figuras mais nefastas que já pisou na América Latina, Augusto Pinochet.
Pena que tenha ido cedo demais, sem ter pago aqui os crimes cometidos contra o povo da América Latina.
Pinochet tomou o poder em um golpe de Estado contra o governo democraticamente eleito do socialista Salvador Allende, que resistiu, de arma em punho, dentro do Palácio de La Moneda, contra ataques por terra e por ar dos golpistas das forças armadas.
Num dos episódios mais escabrosos do século XX na América Latina, confinou seus opositores no Estádio Nacional, naquele 11 de setembro de 1973; detidos, julgados e, alguns, executados sumariamente. Ao longo dos anos de chumbo chilenos 3.000 opositores ao regime foram mortos ou desapareceram.
Além disso, Pinochet foi um dos articuladores da Operação Condor, associação dos regimes ditatoriais do Cone Sul, cujo objetivo era caçar e eliminar os opositores desses regimes, sempre com apoio financeiro e adestramento dos EUA.
O Chile pinochetista foi a ponta de lança do programa econômico neoliberal na América Latina. A ortodoxia de sua política de privatizações e abertura ao capital internacional seriam a receita milagrosa para livrar o continente latinoamericano de sua miséria crônica, ainda que ao custo de algumas milhares de vidas.
Toda essa propaganda que temos sido obrigados a engolir de domingo para cá de nossa imprensa nativa - Globo, Estado, Folha, Abril - sobre o lado bom da ditadura de Pinochet, com seus “ajustes modernizadores” na economia chilena, vão acabar me dando uma úlcera! Esse mesmo Chile, cujo papel na economia mundial resume-se a exportador de commodities – cobre – e, vá lá, um vinhozinho bem razoável. Mesmo depois desses ditos “ajustes”, quase 20% da população chilena vive abaixo da linha da pobreza ou em condição de miséria, só ficando à frente do Brasil no ranking da desigualdade social na América do Sul.
Uma discussão totalmente ideológica, criando esse discurso para encobrir os crimes cometidos no Chile em nome da “liberdade” e da economia de mercado, apoiados ou patrocinados pelo Grande Irmão do Norte, não conseguem esconder a verdadeira face daqueles tempos no Chile. As imagens da população chilena comemorando nas ruas dizem tudo.

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