Thursday, May 24, 2007

Enquete 01

Como todo blogue que se preze tem enquete, proponho uma:

Vocês acham realmente, do fundo do coração, que o Choque vai desocupar a reitoria na borrachada e no gás pimenta? Pode pedir a ajuda dos universitários acampados para a resposta...

Monday, May 21, 2007

Ao Adelcke e demais companheiros


Foto: Sebastião Salgado

Comecei a escrever esse texto como comentário ao Adelcke, mas ele foi se estendendo, ficando amargo e angustiado, e resolvi colocar no blogue mesmo. Você está certo, companheiro. Não há projeto de país à vista. Qualquer prenúncio de desenvolvimento da nação, elevação de nossos horizontes, é rapidamente queimada, convertida em dólares e gasta em Miami. Nossa elite quer estar na ponta do consumo, e não da produção.
Pois é disso que se trata: um projeto de construção nacional empreendido por uma elite visionária, orgulhosa e ambiciosa, até onde a vista alcança escassa ou até inexistente nessas plagas. Porque a construção e implementação de um projeto de nação, em toda a história humana, é sempre levada a cabo por uma elite hegemônica que traça seus objetivos paralelos aos objetivos da nacionalidade, dando o salto para um novo patamar. Isso aconteceu com revolução, como na França e na Inglaterra, ou conservadoramente, como na Prússia e no Japão. Mas em todos esses lugares atrelou-se o destino desses grupos ao da nação e do povo (ainda não se falaria em luta de classes).
Falemos do Grande Irmão do Norte. Os caras pariram um país no meio daquele sertão a ferro e fogo, e tinham um projeto. Ou ao menos o foram construindo e aprimorando com esmero nos últimos 200 e tantos anos. A elite americana não queria o bastante, o suficiente, ou mesmo muito. Ela queria tudo... e botou pra quebrar. Já os nossos caboclos estão muito ocupados importando vinhos franceses e comida pra gato norueguesa para elaborar esse projeto. Enquanto der pra queimar mais uma etapa e viajar mundo afora aproveitando o dólar baixo está tudo certo.
De quando em vez surge uma retórica capenga falsamente esquerdista-nacionalista, atualmente bolivariana, dizendo que todos os nossos males são decorrência do imperialismo a que fomos submetidos ao longo da história. Mentira! O problema da Venezuela tem origem em sua própria elite, sem fanfarronice-anti-imperialista-chavista. A Bolívia e o Paraguai vem dizer que suas mazelas são decorrência do “imperialismo brasileiro”. Ah... deve ser isso, então. Realmente, Solano López era um democrata, socialista, bolivariano!!!
No Brasil, somos colonizados e submetidos pela nossa própria elite sem projeto, vendida ao capital internacional, é verdade, mas os ianques não meteram o pé na porta, eles foram convidados para a festa. Nunca teremos respostas se as perguntas continuarem erradas. O Golpe de 64 teve apoio da embaixada americana? É óbvio! Eles defendem seus próprios interesses, o que, diga-se de passagem, devíamos estar fazendo nós. Mas aquele 1° de abril teve DNA genuinamente nacional.
E onde devia estar sendo formado esse grupo dirigente da nação, capaz de construir um projeto de desenvolvimento autônomo e independente. Em São Paulo, coração econômico do país? Na USP? Talvez, já que faz quase quinze anos que de lá sai grande parte da intelligentsia (ou burritsia) nacional instalada no governo federal. Contudo, a universidade parece perdida em sua incompreensão do mundo entre um grupo tucano, que gostou de tomar vinho francês e dar comida importada pro bichano e esqueceu o que escreveu na década de 1970, e a esquerda-órfã-do-PT, que não consegue entender o mundo em que vive (porra, só na USP ainda existe essa discussão bizonha sobre esquerda reformista ou revolucionária). Fala-se de Socialismo com uma displicência constrangedora, até porque ninguém sabe mesmo que porra é essa. E tem um camarada que vem me falar de Socialismo Bolivariano... qualé!
Toda união nacional para mudança de rumos só é possível em virtude de um perigo maior, externo ou interno. Como não vejo probabilidade do Evo Morales tentar retomar militarmente o Acre, ao menos nos próximos seis meses, a chance é de dar merda aqui dentro mesmo. A panela de pressão tá no fogo há muito tempo, pronta para explodir. A violência urbana, que vai continuar crescendo, é um sintoma. É possível que isso aglutine forças para sairmos desse impasse para a construção de uma nação de verdade, com a igualdade e a justiça que estiveram de férias nos últimos cinco séculos. Mesmo porque dessa vez não dá pra nossa elite mandar uma expedição para exterminar os caboclos rebeldes, como em Canudos ou no Contestado. Os caboclos estão rebelados em todos os lugares. E não vão baixar as armas fácil assim... Mas não subestimemos a capacidade autista-alienante da nossa elite (veja-se a histeria com que ela lida com o MST e com o pau que deu na Virada Cultural), especialista em promover seu auto-engano de que é possível seguir nesse ciclo indefinidamente, vez por outra queimando tudo, convertendo em dólar e gastando em Miami...

Saturday, May 19, 2007

Sabe gente...

Faz tempo que estou pra escrever a respeito de um evento único que aconteceu no mes passado

...quinta a noite, aeroporto de brasília, sala lotada.
Me encosto em um balcão, pego algum material para ler.
Olho em volta, pessoas, gravatas, saltos, gente de todo o tipo, no melhor jeito da nossa brasilidade...
é quando acontece o foco de luz! subo neste palco...
Sabe o foco de luz, o estalo na cuca...minha alma cheira talco.
Perdido entre cadeiras...levemente sonolento, ministro Gilberto.
...atenção passageiros do vôo 3081 com destino ao aeroporto de Guarulhos...última chamada...

Vi aquele senhor. até vagou uma cadeira ao seu lado enquanto estava na fila. E pela presença de uma pessoa autêntica, com aqueles grunidos macaquentos de tantas músicas, a minha alma ficou leve feito talco...pensei o que uma pessoa como esta tem a dizer, a contar, qual o acúmulo de informações da humanidade se assimila na vida?
Fiquei muito feliz de ver alguém que represente algo para a história do país. Imagino as agitações, as referências de ontem de hoje...esse texto do Gabeira. É faltam referências para o país, para as crianças, para os adultos, falta projeto de país...e o que a gente faz de concreto? Nada. ou não conhecemos?
Continuamos tão desarticulados, perdidos, sem rumo, cada qual na sua roça...refens. É a Idade Média do presente...capitalismo da sociedade. É isso aí cada um por si e Deus por todos.
Sinceramente, não sei o que diremos uns para os outros quando velhos nos nossos encontros de maratona gastronômica, só espero que sejam coisas de construção de um país!

Saudades do Brasil

CHAMA-SE Burle Marx o edifício onde moro em Brasília. Gosto de ver o nome inscrito na placa de bronze. Conforta-me a lembrança de uma pessoa interessante. Escrevi um longo artigo sobre sua vida, almocei em sua casa, viajamos juntos para Minas, onde criou um belo espaço.
Quando penso nele, uma outra figura me vem à mente. Cabelos e bigodes brancos, eu o conheci num vôo da Amazônia. Era um jovem repórter, e Noel Nutels, esse é seu nome, falou de seu trabalho, do pulmão dos índios que tentava proteger da tuberculose. Minha cabeça deu voltas, foi um grande estímulo. Trouxe para o Burle Marx um documentário sobre a bossa nova.
Lembrei-me de Tom Jobim, suas conversas sobre pássaros, percebi que estava ficando nostálgico. Se vivesse fora do Brasil, num exílio, talvez me desculpasse. Seria a quantidade de canalhas por quilômetro quadrado que me empurra para o passado? Mas sempre existiram. Basta que se leia Nelson Rodrigues.
Não sou tão estúpido a ponto de pensar que hoje não existem pessoas como aquelas. Simplesmente não aparecem para mim. Depois de tantos anos, minguaram as ilusões. Quando saímos, havia prosperidade e medo, uma combinação que fortalecia o governo. O slogan da época: ame-o ou deixe-o. Hoje há prosperidade, um clima de adesão cheia de expectativas, do tipo "também sou filho de Deus".
No lugar do autoritário slogan da ditadura, a metáfora se desloca do espaço nacional para as glândulas salivares. Do ame-o ou deixe-o para o engula ou cuspa, um roteiro de dilemas. Não há mais um ditador apontando o caminho do exílio. Apenas alguém que não se conforma com a incompreensão: os vilões precisam, agora, reconhecer a beleza da gata borralheira. Oswaldo Cruz não inventou um remédio para a febre amarela. Mas enfrentou o senso comum ao proteger o povo contra a varíola. E contemplava o mangue, escuro e lamacento, do alto de um imponente castelo.
Nas atuais circunstâncias, o dínamo se desloca do futuro para o passado. Num imenso cemitério vertical, onde os andares são camadas do tempo, visito os mortos, canto: "ah, se a juventude que essa brisa canta/ficasse aqui comigo mais um pouco...".
Outros não reagem assim. Um amigo assiste ao filme "300" e escreve um bilhete: melhor, combateremos à sombra. Como estão distantes as fases heróicas, limito-me a responder: tudo bem, mas vamos combater sem a crase.

FERNANDO GABEIRA

Wednesday, May 16, 2007

Esses argentinos dão uma inveja danada!

Para os companheiros que não conhecem Buenos Aires, recomendo uma visita à Estação de Trens de Constitución, ou ao menos o que sobrou dela depois que ‘populares’, revoltados com mais um atraso no horário dos trens e com a baixa qualidade do serviço (adivinhem, privatizado pelo Menem!) quebraram os guichês, incendiaram a estação e, de lambuja, ainda deram um couro na polícia aos gritos de “Argentina! Argentina!” Que inveja! Na França, em “comemoração” à vitória de Nicolas ‘La Bête Noire” Sarkozy, foram incendiados mais de 750 carros.
Vejamos agora nossa São Paulo de Piratininga. A II Virada Cultural de São Paulo (temos que dar o braço a torcer, o evento é genial) foi encerrada com chave de ouro com a batalha campal entre a PM paulista, campeã dos direitos humanos, e o público que foi assistir aos Racionais, tudo gente fina e de boa índole. Água e óleo! Por causa de meia dúzia de lojinhas e bancas de jornal quebradas (sem entrar no drama pessoal dos donos desses estabelecimentos) nossa imprensa elitista criou um celeuma danado, num clima de guerra de todos contra todos – ou melhor, dos feios, sujos e malvados da periferia, que desprezam e não fazem jus ao presente que receberam ao ser convidados para participar do evento, contra os brancos, belos e cultos de nossa elite. Com o nosso grau de injustiça social e o espírito desses argentinos, a II Virada Cultural teria terminado com metade do Centro incendiado aos gritos de “Brasil! Brasil!”.

Friday, May 04, 2007

Italia Nostra


Porra todo mundo é democrata??? Do PFL, Berlusconi, e o PCI??
Na linha da "A Internacional" deste blog...Avanti Popolo


04/05/2007A derradeira transformação dos comunistas italianos


'De cisão em cisão, o PCI acabou se transformando nos Democratas de esquerda, um partido que tem a cor laranja e afinidades com a democracia cristã';



De cisão em cisão, o PCI acabou se transformando nos Democratas de esquerda, um partido que tem a cor laranja e afinidades com a democracia cristãJean-Jacques BozonnetCorrespondente em Roma


O martelo e a foice há muito acumulavam poeira na loja de acessórios do antigo Partido Comunista Italiano (PCI). Por ocasião do congresso dos Democratas de esquerda (DS), de 19 a 21 de abril em Florença, os herdeiros de Antonio Gramsci (membro fundador) e de Enrico Berlinguer (secretário-geral de 1972 a 1984) também guardaram a bandeira vermelha e o seu hino, "A Internacional" na prateleira das recordações. A decoração do palácio dos esportes onde se reuniram 1.500 delegados do DS tendia mais para o laranja, a cor das revoluções atuais. Uma canção popular italiana, escolhida por supostamente abrir novos horizontes, "O Céu É Sempre Mais Azul", foi tocada para marcar a conclusão do encontro.


Não sobrou sinal algum, nem nos símbolos nem nas palavras, do passado comunista no momento da derradeira muda. Ao votarem na sua dissolução e na sua fusão com os centristas de esquerda de A Margarida, um movimento de inspiração democrata cristã, com o objetivo de fundar uma agremiação reformista moderada, os Democratas de esquerda, segundo a opinião unânime da imprensa italiana, "ratificaram o encerramento definitivo da experiência histórica que havia sido iniciada em 1921 em Livorno". Foi nesta cidade que nascera o PCI, a partir de uma cisão do Partido Socialista Italiano (PSI).


Dirigido por Amadeo Bordiga, e depois por Antonio Gramsci, o novo partido é proibido em 1926 pelo regime fascista. Ele renascerá em 15 de maio de 1943, e Palmiro Togliatti, o seu chefe clandestino desde 1927, permanecerá à sua frente até a sua morte, em 21 de agosto de 1964. A partir de 1956, com os eventos que ocorrem na Hungria, o PCI abre "uma via italiana rumo ao socialismo". A tendência a tomar suas distâncias em relação ao grande irmão soviético se concretizará com Enrico Berlinguer. Eleito secretário em 1972, este elegante gentleman oriundo da Sardenha adota a linha "eurocomunista", que conduzirá à ruptura com Moscou em 1981.


Esta época será caracterizada pelo apogeu da influência do PCI: nas eleições legislativas de 1976, ele conquista 34,4% dos votos. A maior parte dos dirigentes de esquerda, e mesmo de direita, assim como um grande número de intelectuais desta geração, foram simpatizantes desta cultura, ou até mesmo membros do partido. A Itália era compartilhada - e nem tanto dividida - por este peso pesado com o seu pendente no centro-direita, a Democracia Cristã (DC).


Para um bom número de observadores, os pós-comunistas de 2007 e os herdeiros da DC estão no processo de realizar, de uma maneira mais discreta, o famoso "compromisso histórico" entre as duas culturas políticas do país, uma aliança com a qual haviam sonhado Enrico Berlinguer e Aldo Moro (DC), e pela qual este último pagou com a sua vida em 1978, assassinado pelas Brigadas Vermelhas.


"Aquilo foi uma tragédia; agora nós estamos envolvidos numa farsa que tem tudo para ser bem pior de que uma tragédia", escreveu depois do congresso de dissolução dos DS "Il Manifesto", um jornal de esquerda que segue acrescentando ao seu título a menção "Diário comunista". O seu fundador, Valentino Parlato, que fora excluído do PCI em 1969 por ter criticado a URSS, e principalmente a invasão da Tchecoslováquia em 1967, estima que "é a última das retiradas que foram iniciadas por aquela de Achille Occhetto". Então o secretário do partido, este último havia anunciado, em 12 de novembro de 1989 perante a seção de Bolonha, alguns dias depois da queda do Muro de Berlim, o começo do fim do PCI, que em breve seria dissolvido e transformado em 1991 no Partido dos Democratas de esquerda (PDS). O carvalho é o seu símbolo, mas, num dos cantos do seu logotipo, a bandeira vermelha marcada com a estrela, a foice e o martelo, ainda resiste.


Apesar do sucesso da esquerda nas legislativas de 1996, o PDS de Massimo D'Alema, principal partido da coalizão da Oliveira (21,1% dos votos), não sobrevive à crise do governo Prodi. Os DS nascem em novembro de 1998 sob a liderança de Walter Veltroni. Atualmente o prefeito de Roma, este último é favorito para assumir a direção do futuro Partido Democrata. Mas, em 2007, as "relíquias" comunistas cedem o lugar, debaixo do carvalho, para o cravo socialista e as estrelas da União Européia. "Essas retiradas sucessivas nada tiveram de estratégico", insiste Valentino Parlato num editorial publicado na primeira-página do seu jornal. "Aquela de Florença é uma retirada política e cultural sem princípio e sem saída, exceto a de deixar o caminho livre para uma não improvável onda de direita".


Convidado a participar do congresso dos DS, Silvio Berlusconi aplaudiu o discurso do secretário, Piero Fassino: "Se o Partido Democrata for mesmo isso, eu estou disposto, numa proporção de 95%, a me inscrever nele também", exclamou "Il Cavaliere". "O que eu ouvi aqui foi uma série de posicionamentos social-democratas que, em alguns pontos, são decididamente liberais; eu estou de acordo com a política social da qual falou o secretário dos DS". Este último se referiu à "necessidade histórica" de uma evolução "para aqueles dos nossos filhos que só conheceram o pagamento do seu salário em euros e que talvez nem tivessem nascido por ocasião da queda do Muro".


Esta guinada para o centro foi recusada pela ala esquerda dos DS. Houve choros, abraços e beijos, assim como costuma ocorrer em cada ruptura na família comunista, quando Fabio Mussi, o líder de uma corrente que representa cerca de 15% dos militantes, aceitou confirmar "a falência política do desafio que havia nascido com o fim do PCI".


Alguns dias antes do congresso de Florença, Gavino Angius, um dos "históricos" do movimento pós-comunista (vice-presidente do Senado, ele foi chefe de grupo dos DS), comparava "a experiência fracassada" dos DS com uma missão espacial: "Nós havíamos partido para realizar uma grande empreitada, mas nós fracassamos, e o nosso problema agora é de retornar vivos à base", explicava ele em entrevista ao "Le Monde". "Se nós não descobrirmos o ângulo certo para a entrada na atmosfera, estamos condenados a nos desintegrar. Ora, o Partido Democrata não constitui a trajetória certa, pois ele representa a dispersão das forças socialistas".Após alguns dias de reflexão, este sardônio que reivindica a herança de Berlinguer também decidiu ejetar-se no "grande vazio da esquerda". Será que ele se juntará ao outro dissidente, Fabio Mussi, que anuncia para o mês de maio a criação de uma nova força de esquerda? Em 1991, a minoria do PCI havia feito secessão para criar o Partido da Refundação Comunista (PRC), conhecido como "Rifondazione".


Com o Partido dos Comunistas Italianos (PDCI), nascido de uma cisão ulterior, o voto comunista ainda conseguiu pesar mais de 10% nas legislativas de 2006. O Rifondazione já propôs um "agrupamento dos membros da família" que teria como base o antiliberalismo, o pacifismo e o laicismo.


No centro de Roma, sobre a fachada da seção histórica dos Democratas de esquerda, cujo endereço é via dei Giubbonari, há duas placas. Estão se preparando para trocar a dos DS para pôr no lugar aquela do PD. Mas a outra, a que indica "PCI, seção Regola Campitella", com a foice e o martelo gravados na pedra, ninguém sequer cogita arrancá-la do muro. "Está fora de questão, ai de quem se atrever a fazer uma tentativa", advertem os dirigentes locais. "É uma recordação".


Tradução: Jean-Yves de Neufville