Ainda sobre empregadas domésticas ou Nosso Exercício Cotidiano de Cinismo
Sexta-feira passada travei conversa tensa com Taís (nome fictício), na casa dos 50, figura bem naquele estilo “eu-me-acho-progressista-e-liberal” mas, como o inferno são os outros, vamos lá. Depois de uma meia hora me sentindo figurante do “Além da Imaginação” surgiu um de nossos assuntos prediletos: a redução das desigualdades sociais ou Porque somos assim?. Como qualquer bom brasileiro, ela também não tem grande simpatia pelo trabalho manual, logo, tem empregada doméstica pra dar aquela força no trabalho de casa. Após infindáveis considerações sobre o esvaziamento da participação popular, a desmobilização da sociedade por transformações profundas, a democracia, formas de melhorar a distribuição de renda, reduzir a desigualdade, investir em educação para os pobres, passando pela espoliação da classe média (!?) e blá, blá, blá ela deu a deixa. Disse-lhe: “mas Taís, quando se propôs que fosse recolhido FGTS e demais contribuições previdenciárias para os empregados domésticos a classe média estrilou e forçou a barra para impedir. Nem a elite nem nossa classe média têm interesse em alterar o estado de coisas e distribuir melhor a renda.” Peguei no ponto! “Não... mas... isso é diferente... não sei se isso seria o certo... eu também não tenho Fundo de Garantia (ela é servidora concursada). Se eu não tenho porque ela tem que ter? (com ar indignado)”. Pensei com meus botões: “Então tá, quando ela se aposentar você continua pagando o salário integral dela, pra ficar igualzinho a você”.

4 Comments:
A moral e a ética da maioria dos brasileiros (todos sem exceção, pobres ricos e "médios") é elástica. O coeficiente de elasticidade deve ser bem alto pois esticamos e encurtamos, nas mais diversas dimensões, na hora que bem entendemos. Talvez se assumíssemos uma postura mais corajosa, admitindo nossa culpa no processo ao invés de achar culpados ou ficar nos justificando, a coisa ia melhorar. Mas como dizia aquela musica do Tchan: “pau que nasce torto nunca se endireita”. O duro é que entortarmos os outros para parecermos retos...
É gente, somos sempre contraditórios!! fica sempre a mesquinharia sobre todos e tudo...vi uma reportagem que dava duas opções de escolha:
Você chefe de equipe no Ambiente de trabalho...
1- Você recebe um aumento de 70% e todo mundo da sua equipe recebe 100%
2- Você recebe um aumento de 100% e o resto da equipe aumento de 70%
Qual será que foi a escolhia pela maioria?
Na verdade acho que elite é elite em qualquer lugar, império é império em qualquer espaço da história.
Me preocupa o que fazemos para mudar efetivamente a situação...há muita gente que pensa parecido e realmente gostaria que o pais mudasse.
?Qual seria a melhor maneira de revereter a situação?
A contradição, se conciente, é boa e faz parte da evolução e dom crescimento, mas não é o que acontece no exemplo apresentado pelo Este, e na maioria das "ocorrencias".
Sujestão: Back to Basics. Recuperar alguns valores seria fundamental. Meu palpite: começarmos pelo Respeito.
Abraços,
Valores Fundamentais estão completamente deturpados atualmente, ou melhor, esquecidos em prol da auto-defesa!
Rola resgate? como neste pais?
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